Em 25 de dezembro de 2013 00:47, ASCR-Confraria Queirosiana < queirosiana@gmail.com> escreveu: > > *Quadro queirosiano* > > <http://4.bp.blogspot.com/-UHY_z3ytO40/UroSH2VdFpI/AAAAAAAAA_Q/Q5QJGrUaJPY/s1600/1.JPG> Eça > de Queirós > por A. Dias Machado, 2013 > > O seu gólgota começa de madrugada, quando carrega nas burras os sacos de > serapilheira, cheios do carvão de choça que a semana inteira andou a fazer. > > Quando reparou no que tinha andado, já não se viam as casas nem ladravam > os cães, o negrume viera de repente, mas de olhos fechados andaria o > caminho que era o do seu único longe. > No mais recente capítulo da Confraria Queirosiana, que decorreu no dia > 23 de Novembro passado no Solar Condes de Resende, a Confraria do Abade, de > Braga, brindou a primeira com um quadro original da autoria do pintor > famalicense A. Dias Machado, com uma figuração de Eça de Queirós inserida > no universo da sua própria vida e na das suas personagens, sob o tema ali > transcrito «A Arte é um resumo da Natureza feito pela imaginação», a frase > com que Fradique Mendes resumiu uma discussão filosófica sobre o assunto (*A > Correspondência de Fradique Mendes*).O seu autor, que reside em Riba > D’Ave, tem participado e realizado numerosas exposições, encontrando-se > presente em várias coleções no país e no estrangeiro, tendo já retratado > várias personalidades como Camilo Castelo Branco ou Che Guevara. Nas suas > obras distinguem-se um traço e uma cor muito expressivos, pelo que a > coleção da Confraria, que se encontra no Solar Condes de Resende, ficou > assim muito valorizada com esta representação do seu patrono, a quem o > fenómeno artístico não era indiferente, muito antes pelo contrário, > motivando-lhe sérias reflexões desde muito novo: «A Arte é a história da > alma», escreveu nas *Prosas Bárbaras*. Ele próprio se dedicou ao desenho, > à pintura e à modelação de figuras; se no seu espólio conhecido restam > apenas alguns desenhos, os quadros a óleo que seguramente pintou em Paris > poderão andar por aí perdidos sem identificação ou terem ido para o fundo > do mar, com o seu retrato pintado por Columbano, boa parte dos seus livros, > manuscritos e mobiliário, mandados para Portugal após o seu falecimento, > num navio fretado pelo governo de então para trazer o espólio do Pavilhão > Português na Exposição Universal, mas que naufragou à vista de Lisboa. > Felizmente a viúva não pode ou não teve tempo para mandar empacotar todo o > recheio de sua casa. Restará na Fazenda do Brejão, Santa Cruz das > Palmeiras, São Paulo, Brasil, o pequeno quadro que Eça ofereceu ao seu > amigo Eduardo Prado com «três gatos em uma praia, junto a um rochedo, > contemplando o por do sol». O próprio Eça tinha em sua casa quadros de D. > Carlos, Carlos Reis e Jaime Verde, entre outros, além dos quadros de sua > sogra, D. Maria Balbina, Condessa de Resende, por sua vez filha do 1º > Visconde de Beire, o primeiro inspetor da Academia Portuense de Belas > Artes, que por isso mesmo lhe deve ter propiciado bons professores de > desenho e pintura. > > > Nesta época de intensa democratização dos atos de criação estética, em > que, com mais ou menos reconhecimento, todos podemos ser artistas, e em que > novas formas de arte se afirmam no nosso quotidiano, grande parte delas, é > certo, já nascidas com a doença da efemeridade, ou com uma desesperada > falta de substância e de conteúdo louvada por exotéricos vendedores de > “banhas da cobra” em grossos volumes de “artes gráficas” ou “design”, > benzidos por banqueiros artisticamente ineptos, tão caros quanto inúteis, e > cujo destino é forçosamente o caixote do lixo da História, este quadro do > pintor A: Dias Machado permanecerá no Solar Condes de Resende como uma bela > metáfora sobre o autor de *A Relíquia* que imediatamente suscitou a > admiração dos confrades presentes que junto dele e com ele se fizeram > fotografar. Há obras de Arte assim. > > J. A. Gonçalves Guimarães > Mesário mor da Confraria > > *Grande Prémio da Crónica 2013* > > A 10 de Dezembro, no auditório da Biblioteca Municipal de > Sintra, o escritor José Rentes de Carvalho recebeu em cerimónia pública > este prémio pelo seu livro *Mazagran*, o qual lhe foi outorgado pela > Associação Portuguesa de Escritores e a Câmara Municipal de Sintra, como > noticiamos na página anterior. Na ocasião proferiu a seguinte alocação que > nos disponibilizou para divulgação neste blogue, endereçada a todos os > nossos confrades espalhados por Portugal e Brasil, a qual partilhamos com > os leitores do jornal As Artes entre as Letras, protocolado com a Confraria > Queirosiana. > «Sintra: agradecimento pelo "Grande Prémio da Crónica – 2013" > Senhor Presidente da Câmara de Sintra, Senhor Presidente da Associação > Portuguesa de Escritores, minhas senhoras, meus senhores: > O dicionário define a timidez como sendo a inibição que se sente em face > de situações novas, ou de pessoas que não se conhecem bem, e ainda como uma > falta de apreço pelo convívio social. Por certo a timidez é tudo isso, mas, > como por vezes acontece com as definições, é também o seu contrário: pode > ser fraqueza, e ao mesmo tempo grande força. Evidentemente, como seria de > esperar, o que me traz a Sintra é a honra do prémio e o proveito do cheque. > Se apenas de mim dependesse, isso seria tratado num gabinete, com apertos > de mão e dois dedos de conversa. Mas não depende, de modo que aqui me têm, > a grande força da timidez impedindo que deite a fugir, mantendo-me preso ao > respeito devido às pessoas e às conveniências. Até certo ponto, a falta de > experiência explica a peculiaridade do meu comportamento, pois tendo > recebido pela primeira vez um prémio aos nove anos, só aos oitenta e dois > me calhou o segundo. Não que me queixe, longe disso, quero apenas tornar > claro que, por ignorância da técnica, receber prémios ou ser convidado para > dançar, me deixa em aflição igual. Não tive de agradecer o primeiro – um > livrinho da Condessa de Ségur, e uma caderneta da Caixa com cinquenta > escudos – pois bastou dar um beijo à professora. Para o segundo, o ano > passado, na Câmara de Castelo Branco, consegui debitar meia dúzia de > palavras de agradecimento e, porque era menos que o mínimo, juntei-lhe uma > página de prosa. Agora em Sintra para o terceiro, se bem que ainda não > possa aspirar ao estatuto de veterano em prémios, tenho a impressão de que > me posso alargar. Fá-lo-ei menos em palavras de gratidão, pois essas estão > implícitas no que já disse e no que direi, mas, sobretudo, pelo desejo de > lhes poupar o enfado de ouvirem repetir frases feitas e lugares-comuns. > Para a verdadeira gratidão as palavras nunca bastam, pois exprimem sempre > pouco, ou sempre mal, o que se sente e se pretende dizer. Esperando que > compreendam o meu pensar, sofram então que abuse da vossa paciência. > Um amigo quis saber de mim como é que, há mais de meio século a viver no > estrangeiro, eu ainda consigo escrever uma prosa razoavelmente escorreita. > Conforme o infeliz hábito que tenho de responder sem pensar, e no tom de > quem anuncia um facto irrefutável, declarei-lhe que nunca tinha deixado > Portugal. > Por ir contra a evidência, e mostrar algum descaso pela sua curiosidade, > gerou isso algum embaraço, e ele, homem cortês, mudou de assunto. > Fosse mais corrente o andamento da vida que tenho levado, seria caso > para pôr em dúvida o meu juízo, e legítima a pergunta se em pequeno me > deram chá. > Felizmente, era apenas uma questão de retórica. Exagerando, eu intentava > dar ênfase ao sentimento que tenho desde que me conheço, o de que a minha > língua, a nossa língua, me prende a este chão como uma forte e misteriosa > raiz, que se faz sentir onde quer que me encontre. > E todavia, pelo acaso das bizarras circunstâncias do meu viver, o qual > me obriga a ser poliglota, nela raro me exprimo ou penso. > Aqui chegados, e tal o amigo de que falei, é provável que comecem a > ressentir algum incómodo, talvez mesmo a desconfiar da sanidade mental > deste, que ora se diz preso à língua-mãe, e de seguida anuncia que pouco a > fala, e só de longe a longe a usa para pensar. > Duvido que o esclarecimento satisfaça, mas acontece que, vivendo rodeado > de gente exótica, falando idiomas arrevesados, estabeleci com a língua > portuguesa uma relação que, à falta de melhor, chamarei maçónica. > É assim que, quase diariamente, me fecho no meu quarto de trabalho com o > único propósito de escrever um texto em português. > Pouco importa o tamanho ou o assunto: pode ser a continuação de um > trabalho, um apontamento, uma carta, uma entrada no meu diário. > Não poderei dizer com segurança se, nas horas que aí passo, também é em > português que penso. Mas uma certeza tenho: canto. Em surdina, vou cantando > o que escrevo. > É evidente que cada frase terá de exprimir algo, fazer sentido, mas só é > aprovada quando a melodia se me acomoda ao ouvido. > A família não estranha, mas se alguém por acaso escutasse à porta, > talvez se benzesse, supondo-me a fazer encantações. > Assim não é, nem o bruxedo ajudaria. Simplesmente, com medo de perdê-la, > de esquecer a sua riqueza vocabular e a sua bela sonoridade, criei com a > língua portuguesa esse extravagante ritual. > Embora menos cordato, tenho ainda outro motivo para, cantando, lhe > apurar a afinação: o da impotência de uma raiva que me tomou cedo na > adolescência e não consigo esconjurar. > Ortega y Gasset escreveu um dia: "Nunca fui nacionalista; mas sempre fui > nacional, e isso significa para mim sentir um entusiasmo sempre renascente > para com a vintena de coisas espanholas que estão verdadeiramente bem, e um > ódio inextinguível para com o restante que está verdadeiramente mal." > Igual ao filósofo espanhol, se me enterneço com tudo o que Portugal tem > de bom, sobe em mim uma fúria desmedida ao confrontar o tanto que na nossa > bela e carinhosa pátria está desnecessariamente mal, desleixadamente mal, > criminosamente mal. > É por isso que na solidão do meu quarto de trabalho canto em surdina a > nossa língua. Para não a perder. Para pacientar. Para resistir à tentação > que por vezes me assalta de virar as costas à terra do meu berço, cortar a > raiz que a ela me prende, que arrasto e pesa como grilhão de condenado. > Num momento como este é descabido o lamento, de modo que, mais conforme > ao uso e às boas maneiras, numa tentativa de exprimir a minha gratidão pelo > prémio que me atribuíram, lhes trouxe uma espécie de lembrança. > Nada de estimável, nada que possam levar para casa, apenas um > apontamento, no qual, talvez por também ter sido escrito a cantar, se ouve > aqui e ali alguma ressonância do fado menor, o outro sangue que nos corre > nas veias. > É uma forma de recado à moda antiga. E porque vem de lugares onde o > tempo parou e a vida esmorece, pode ser que lhes pareça em língua estranha, > falando de coisas, terras e gentes como já não há. > Assim fosse. Assim não é. > Fragas, atalhos e arribas, cotovelos de estrada, searas, desfiladeiros, > pomares, solidões. Torvelinhos de água. Dias de festa. Rostos, momentos, > becos, janelas de grades, pardieiros, estrume a fumegar, cães de gado. > Tudo esboroa, mingua, some em nevoeiro, não se adivinha com que fim ou > distingue para que longe. > Que resta do que pareceu e do que foi? Do que disseram? Do que julguei > ouvir? > Juras, gestos, subentendidos, intenções, promessas. Aquele sorriso, > aquele abraço, a partida, as voltas, os desencontros e as fugas, o retorno, > a perdição. > Menino ainda, actor me criei, a fugir do que para mim avançava, corpos > grandes, rostos fechados. > No sangue a intuição de perda, vinda do mais escuro do tempo, sabe Deus > que mágoas dos que passaram sem deixar nome ou pegada, iguais aos bichos, > como eles apodrecendo em campa rasa, lembrados por um jeito, um remoque, e > pronto esquecidos. > Silhuetas apenas, desfilam no contraluz, de espessura e aspecto têm o > que lhes empresto na fantasia, e um pouco do que guardei por ter ouvido, > desde o começo a querer resgatá-los do esquecimento. > A alguns deles nem sequer conheço, ou sim, provavelmente são os que > enterrei fundo no esquecimento, a vala comum dos amores traídos, das > amizades findas, das derrotas, das traições e ignomínias a que o viver > obriga, mesmo quando tem por norte a decência. > Espectros, pouco importa donde vêm, o que os traz ou significam. Chegam > em turbilhão, imagens a desenlear um emaranhado de vivências sem lógica nem > cronologia, mistura de retratos e histórias, frases sussurradas por vozes > estranhas, de longe a longe uma de tom familiar. > Deitada no chão, pariu-o a mãe em manta de burel, lençol teve só o da > mortalha, no esquife dos pobres em que o levaram a enterrar. A vida inteira > fez cama na manjedoura, dormindo sobre a palha que depois atirava às > burras, e elas, às patadas, ensopariam de bosta e mijo. > Vestimenta de esmola, toda em remendos. Chapéu de feltro, enrijado pelo > sebo de anos. Botas já sem cardas, ganhas faz muito com sete jeiras de > monda e dez de vindima, o couro duro a moer pés nus, tormento que findava > quando calejavam. > Conchego de amor nunca teve, nem conheceu mulher, de alegrias gozou as > mais simples: o remanso da sombra na canícula, um cibo de carne na festa, > copinho de aguardente, naco de queijo, talhada de melão. > Cortar lenha para a "sepultura", cova funda de metro e meio, acender o > lume, cuidar que arda vagaroso, nem forte nem fraco, de modo que seja muita > a brasa, pouca a cinza. > Reza se o céu escurece. Reza para que o vento pare. Reza as graças > quando as nuvens passam sem chuva. Olhos no alto. Olhos na fogueira. Frio > não sente, nem fome, nem sede, só pensa nas chamas, esperançado de assim as > domar. > Ao escurecer, com gestos de semeador, atira-lhes punhados de terra, a > que chegue para que não abafem logo e vão morrendo aos poucos. > Padece e teme. Menino ainda, de nada me serviria ouvir-lhe a fala, que > por enquanto só tenho olhos, um começo de entendimento, guardo sem saber > que o faço, ou para que depois, quase todas as palavras me são novidade. > Imagino. Repito. Volto a imaginar e desfio, alargo, componho, misturo, > sem consciência nem saber, colhendo vidas e vozes, cheiros, cores, modos, > desesperos. > É estar de fora, ser estranho, e ao mesmo tempo viver em todos eles, > misterioso fado que mais tarde me levará a perguntar o sentido da vida, > nunca apenas nossa, mas enredada nas que findaram, as que estão, as que se > escondem num futuro que talvez nunca chegue. > À noite, agachado no banquinho, corta o centeio. Deita as fatias na água > que já ferve, pitada de sal, fio de azeite, quatro batatas. Uma cebola. > Vai-se-lhe o pensamento para a cova da ladeira, onde as brasas devem ter > esfriado. > O sono é morte súbita de que irá ressuscitar à cantada do galo, logo em > prece para que na fogueira apagada seja muito o carvão. > O dia rompe quando avista a "sepultura", e o palpite é bom. Reza > agradecido. Bom é também o carvão de brasas medianas, o que paga melhor, > gastam-no as mulheres nos ferros de passar, nas braseiras e nos fogareiros. > Seis sacas encheu, das que guardou do adubo. Carga leve, três em cada > besta, que fracas como andam, mal comidas, com mais não aguentariam as doze > léguas de ida-e-volta, e o tempo que vai perder nas ruas da vila, pára > aqui, pára além, batendo as aldrabas, chamando, rouco de apregoar "Brasas! > Quem quer brasas!" Às tantas só pergunta nas casas onde costuma ter > freguesia, a meio da tarde vendeu duas sacas, trinta mil réis. Um > mal-encarado diz que lhe compra uma se mear o preço. Responde que não pode, > e o homem vira-lhe as costas com um "Então guarda-as!" > Apiedada, a viúva deu-lhe uma tigela de caldo e água para as bestas, mas > brasas tem de sobra, que no estio pouco gasta. Fora isso, a mercearia agora > tem carvão de pedra, que dá bom calor e é mais em conta. > Nunca ouviu falar, nem sabe o que seja, carvão só conhece o que faz com > lenha de carrasco, castanho, oliveira e sobreiro. Mas não pergunta. > Agradece o caldo, seja pelas almas de quem lá tem, e ela diz, o Senhor te > acompanhe. > Quebreira, um ardeúme no peito, a oura a embaraçar-lhe o passo, queixoso > de não haver por ali fio de água onde acalmasse a sede, nem porta a que > pudesse bater. > Quis sentar-se na borda do caminho, mas a fraqueza pôde mais, e julgando > que se endireitava rebolou, caiu de bruços, num derradeiro esforço virou a > cara, anojado do pó que se lhe colava à boca. Foi esmorecendo, finou-se em > paz, os que de madrugada o encontraram quase tinham passado adiante, > julgando que dormia. > Deve ter sido outro, o que trouxeram atravessado na albarda de um jerico > que mal aguentava o peso do morto e o do homem que o segurava. > Do que estou certo é tê-lo visto no esquife dos pobres, coberto por um > lençol remendado na ourela. Lembro também que as mulheres tinham ido à > ladeira em busca de flores, para que ele não fosse a enterrar sem ao menos > um raminho. > ** * ** > Senhor Presidente da Câmara de Sintra, Senhor Presidente da Associação > Portuguesa de Escritores, minhas senhoras, meus senhores: > Lendo um texto que, ademais, nada tem a ver com o motivo de estarmos > aqui, é possível que fiquem com a ideia de ter eu escolhido o caminho > fácil, e me querer escasso em palavras de agradecimento. > Embora, como antes disse, me falte experiência para situações destas, > por outro lado pouca dificuldade teria em alinhavar frases de solenidade e > sentida gratidão. Pareceu-me, contudo, que se vinha para receber, ficava > melhor trazer-lhes algo, mesmo de pouca valia, do que vir com as mãos a > abanar. > Bem sei que, ao desviar-me do que suponho ser habitual nestas > cerimónias, corri o risco de os aborrecer e, ao exceder-me no roubo de > tempo, talvez mesmo de os afligir. > Se assim foi, espero que aceitem as minhas desculpas, e acreditem na > sinceridade com que agradeço o prémio que me deram, e a atenção que me > dispensaram. > > Muito obrigado. > J. Rentes de Carvalho» > > Livros > > *A Década Furiosa* > > A 6 de Dezembro, na Galeria Por Amor à Arte no Porto, Beatriz > Pacheco Pereira lançou o seu mais recente livro de crónicas, coletânea de > cerca de noventa publicadas em diversos jornais entre 2003 e 2013, > abordando aspetos sobre aquela cidade e o Norte do país e temas culturais e > educacionais, o qual, segundo a autora, poderia chamar-se «Portugal Visto > Daqui» e onde escreve sobre «um país absolutamente desequilibrado com a > hegemonia total da capital em todas as áreas económicas e culturais, com um > Porto cada vez mais pobre e fraco, abandonado pelas empresas, bancos e > governo central…». > > > *Capela de Santo António* > > > <http://2.bp.blogspot.com/-qUosXM0gTIw/UroSHai7GdI/AAAAAAAAA_M/zopR766ASgg/s1600/2.jpg> > No passado dia 8 de Dezembro comemorou 20 anos de existência a Associação > de Amigos dos Pereiros, de que tem sido presidente Alberto Silva Fernandes, > com uma sessão na sua sede na aldeia do mesmo nome, no concelho de S. João > da Pesqueira, durante a qual foram apresentados os livros “Os Ourives de > Pereiros” da autoria do nosso confrade acima referido e já divulgado neste > blogue e na Revista de Portugal n.º 10, e um novo livro, intitulado “Capela > de Santo António, Pereiros, S. João da Pesqueira”, notável estudo de > História da Arte deste pequeno templo seiscentista ali existente, da > autoria de Nuno Resende, professor da Faculdade de Letras da Universidade > do Porto, que ali o apresentou, em edição daquela associação produzida pelo > nosso Gabinete de História, Arqueologia e Património, que ali se fez > representar pelo seu coordenador e outros colaboradores. > > Na ocasião foi também lançada numa medalha comemorativa e um > postal de Natal, com a reprodução de um presépio barroco existente na > referida capela, pretendendo a associação que o livro seja o primeiro de > uma série sobre as capelas do concelho elaborada por historiadores > profissionais. > > > *Crime de Canelas* > > > > > <http://2.bp.blogspot.com/-qQDqAYYyy1Y/UroTART9pVI/AAAAAAAAA_Y/iF6WpR34gEU/s1600/3.jpg> > No dia 21 de Dezembro foi apresentado no Solar Condes de Resende o último > livro do nosso associado e membro do Gabinete de História, Arqueologia e > Património, Francisco Barbosa da Costa, intitulado “Crime de Canelas – um > crime que apaixonou o país”. Sobre o mesmo divulgou o seguinte texto: > > «Ocorrido em 1930 e julgado em 1932, este crime, que teve como cenário > Canelas (Vila Nova de Gaia), dadas as suas motivações, agentes, contornos e > consequências, teve ampla e diversificada repercussão nacional, veiculada > por todos os jornais diários do Porto e de Lisboa e de alguns regionais. > Creio mesmo que se tivesse acontecido agora abriria os telejornais. A ânsia > de obtenção de lucros indevidos, a partir de seguros elevados de uma casa, > de carros e de animais, feitos junto de companhias, fez congregar em > quadrilha vários indivíduos sem escrúpulos que não tiveram pejo em burlar, > assassinar e matar, pelo fogo, um dos membros da quadrilha que, à última > hora, ameaçou os seus comparsas de denúncia. Este trabalho foi desenvolvido > a partir das notícias dos jornais, tendo o autor sistematizado o texto > caracterizando os seus diversos protagonistas, o contexto internacional, > nacional e local da época. Os jornalistas “autores” do trabalho fizeram-no > com grande qualidade e minúcia que muito facilitaram a sistematização do > autor. Desenvolve-se em vários capítulos, designadamente, o prólogo, a > inquirição, o julgamento, a sentença e o epílogo, depois do relato de > crimes semelhantes praticados pelo principal réu, em Mirandela. Há também a > circunstância de ter estado escondido na casa – cenário do crime – o > alegado assassino de Sidónio Pais. O trabalho é ilustrado com fotografias > dos jornais, dos criminosos, dos juízes, dos investigadores, das > testemunhas, da casa e dos carros incendiados» (FBC). > Na ocasião estiveram presentes, além do presidente da Câmara > de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues e outros autarcas, muitos confrades e > associados dos ASCR - CQ, tendo na ocasião falado, além do prefaciador, o > coordenador do GHAP e diretor do Solar sobre a Imprensa como fonte > histórica, terminando o autor do livro, que explanou as razões que o > levaram a elaborar esta sua obra. > > *Cursos, palestras e lições* > > *Lição de Musicologia* > > No passado dia 6 de Dezembro proferia a sua Última Lição o > Professor Doutor Mário Vieira de Carvalho, Catedrático Jubilado do > Departamento de Ciências Musicais da Faculdade de Ciências Sociais e > Humanas da Universidade Nova de Lisboa, intitulada «Música, teatro e > impasses da esfera pública: um olhar sobre o século XVIII em Portugal». O > agora jubilado professor tem também publicada uma notável obra sobre a > Música e Eça de Queirós. > > *História Empresarial e Institucional* > > Prossegue no Solar Condes de Resende aos sábados à tarde > entre as 15 e as 17 horas, este curso organizado pela Academia Eça de > Queirós, tendo já apresentado as suas investigações sobre o tema J. A. > Gonçalves Guimarães, Silvestre Lacerda, Ana Cristina Correia de Sousa e > Nuno Resende. O primeiro voltará no dia 4 de Janeiro a dissertar sobre “A > História da Casa Ramos Pinto: Vinhos e Arte”, a que se segue, no dia 18 de > Janeiro, Laura Peixoto sobre “Indústrias de Cerâmica oitocentistas do Porto > e Gaia”. > > *Palestras do Solar* > > No próximo dia 23 de Janeiro, quinta-feira, serão retomadas > as palestras das quintas-feiras no Solar Condes de Resende às 21,30, com > entrada livre, sendo o primeiro palestrante José Manuel Tedim, Professor da > Universidade Portucalense, diretor da Academia Eça de Queirós e presidente > da direção dos Amigos do Solar Condes de Resende – Confraria Queirosiana, > que dissertará sobre o tema: «O pintor Felix Vallotton e o Movimento Nabis». > > *Curso de Verão* > > * No próximo mês de Julho, organizado pelo CITCEM – Centro de > Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço & Memória» da Faculdade de > Letras da Universidade do Porto, em colaboração com o Instituto dos Vinhos > do Douro e do Porto e coordenado por Gaspar Martins Pereira, decorrerá o I > Curso de Verão sobre «O Vinho do Porto: Memória, Identidade e Recursos», em > que serão formadores, entre outros, para além do coordenador, Amândio > Barros, António Barros Cardoso, Carlos Brochado de Almeida e J. A. > Gonçalves Guimarães, que também costumam lecionar nos cursos do Solar, e > ainda Pedro Pereira, da equipa de arqueologia do Castelo de Crestuma do > GHAP. Para mais informações e inscrições, *citcem@letras.up.pt* ou > gfec@letras.up.pt <gfec@letras.up.pt>* > _______________________ > Eça & Outras, IIIª. Série, n.º 64 – quarta-feira, 25 de dezembro de 2013 > Cte. n.º 506285685 ; NIB: 001800005536505900154 > IBAN: PT50001800005536505900154; email:queirosiana@gmail.com; www . > queirosiana.pt; confrariaqueirosiana.blospot.com; eca-e-outras .blogspot > .com; vinhosdeeca.blogspot.com; academiaecadequeiros.blogspot.com; > coordenação da página: J. A. Gonçalves Guimarães (TE-638); redação: Fátima > Teixeira; inserção: Amélia Cabral. > > > > > -- > Publicada por ASCR-Confraria Queirosiana às Eça & Outras<http://eca-e-outras.blogspot.com/2013/12/eca-outras.html>a 12/25/2013 12:47:00 AM |